Noites sem sono, olhando o teto O medo do amanhã me deixa inquieto Sem confiança no que eu mais amava O ruído no peito não se calava O brilho dos outros me faz cegar Sinto que não existo em nenhum lugar Quero sonhar, mas o medo é real Meus pés travam nesse vendaval Mas é esse som que me faz ficar E me impede de desmoronar Mesmo que ninguém possa escutar Canto por mim, pra me encontrar No canto do caderno, o que eu escrevi Me faz chorar sempre que eu li "É impossível", a desculpa ideal Eu fugia de mim, desse labirinto fatal Como um metrônomo prestes a parar Meu coração busca o ritmo pra continuar Quero sonhar, eu ainda quero ver Mesmo apagando, não vou me perder Espero que um dia a minha voz Ilumine a escuridão entre nós Fraca ou quebrada, não vou sucumbir Canto por mim, pra poder existir Na borda do sonho, ainda a lutar Mas sigo de pé, sem recuar Que ecoe agora esse meu ruído Se alguém se sentir por ele movido Mesmo caindo ou a soluçar Eu vou cantar... vou voltar a cantar
